Cenário 2022: saiba o que esperar deste ano e como se preparar

Publicado em 27 de janeiro de 2022

Compartilhar:

As constantes e rápidas mudanças no ambiente de trabalho, no modo de consumir, de se posicionar e se comunicar já eram realidade há algum tempo. Mas a pandemia da Covid-19 fez tudo isso ficar ainda mais intenso. A maioria das pessoas teve que aprender a fazer e a se virar nos 30 com a roda girando, o que colocou muitas empresas e até mesmo os profissionais em xeque.

Seguimos com uma certeza: as mudanças continuarão acontecendo. Então, o que esperar de 2022? Conversamos com especialistas de três áreas para saber qual cenário prospectar, entender o que será essencial no próximo ano e, assim, se preparar.

Passamos pelo cenário econômico, marketing e branding e capacitação profissional. Aproveite as informações e prepare-se!

Cenário Econômico

Roberto Folgueral Rodrigues  
Com Roberto Folgueral Rodrigues, doutor, vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de São Paulo e executivo com mais de 30 anos de experiência em gestão empresarial, financeira e desenvolvimento de novos negócios.

Qual a previsão para o cenário econômico em 2022?

Para 2022, o cenário não nos parece muito favorável. Há uma desaceleração no PIB, uma taxa Selic acima de 8% a.a, que baliza uma inflação alta para nossos padrões, e dólar acima de R$ 5,50. Assim, os empresários, devem recorrer aos ensinamentos básicos: “ganhe antes de gastar”, invista apenas em coisas que poderão lhe dar retorno mais imediato ou em outra linha. Nada de despesas, apenas investimentos que possam gerar aumento de receitas.

Como o empresário deve encarar os indicadores?
Devemos entender que PIB, juros, dólar, Selic, inflação entre outros índices são apenas “indicadores” ou dados estatísticos que mostram a realidade de forma quantitativa e média de uma sociedade, descrevendo a situação econômica que servirá de base para projeções. Isso não significa números reais que se aplicam em cada setor da atividade, pois cada cidadão ou empresa sofre reações de formas diferentes dependendo do seu campo específico de atuação. Indicadores econômicos servem para o poder público mapear resultados de forma geral, em média.

Simplificando, a importância dos dados econômicos está na exata interpretação da situação econômica de um país ou localidade onde possa existir consumo, oferta, demanda etc. Com uma interpretação mais específica, podemos tomar uma decisão, mas tendo em mente que deveremos sempre ter um plano “B” e mantermo-nos atentos diariamente para eventuais desvios do planejado para uma possível rápida alteração de rumo.

Para alguns setores da economia, por exemplo, a influência da Balança Comercial, do IPCA pode significar mais do que a taxa de juros, lembrando aqui que a Taxa Selic é apenas um “balizador” e não aquilo que os bancos cobram por seus empréstimos.

Muitos empresários realizaram empréstimos em 2020 e 2021. Qual a orientação para quem ainda está pagando um empréstimo e para aqueles que precisarão deste recurso em 2022?
Voltando ao início desta conversa, os empresários deverão investir naquilo que lhe possam trazer aumento de renda (faturamento), lembrando que o pagamento dos empréstimos contraídos deve ser realizado com os valores que sobram do faturamento (lucros). Assim, um planejamento é fundamental.

Como trabalhar o estoque em 2022 levando em conta o cenário econômico? O caminho são as grandes compras ou o melhor é ter cautela?
Não devemos nos esquecer do custo de carregamento do estoque antes de vendê-lo. O investimento em estoque representa um grande volume de recursos de capital de giro. Nem sempre os valores para obter recursos para financiar os estoques são superados pela margem de lucro. Assim, um comerciante que tem recursos próprios pode vender mais barato do que aqueles que necessitam de recursos de terceiros.

Além disso, os investimentos em estoques são carregados com os tributos, principalmente o ICMS-ST (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços - Substituição Tributária) e o PIS/CONFINS, monofásicos. Os produtos estocados representam um estoque de impostos que somente voltarão ao caixa da empresa após o recebimento da venda.

Pondere ainda que as vendas com cartões têm um custo adicional e a sua antecipação outro maior ainda.

Todos esses ingredientes devem ser considerados na hora da compra, da estocagem e da venda. Lembrando que esse valor da venda deverá remunerar tudo isso: compra, tributos, juros, financiamentos, salários, aluguéis etc.


Há alguma reforma que pode impactar o varejo? De que forma?
Sim. Até agora, o que vemos, tal como se apresenta a reforma tributária proposta pelo governo, apenas representará aumento na carga tributária e dos seus custos de apuração, o que conhecemos como obrigação acessórias.

Sendo assim, os empresários, de um modo geral, notadamente os varejistas, não podem esperar muito do governo. Devem planejar e ficar atentos às variações de mercado e agirem com extrema velocidade para não serem surpreendidos.

 

Marketing e Branding

rena Souza
Com Renan Souza, formado em publicidade e possui MBA em Administração Estratégica de Marketing. É gestor de conteúdo da TV Justiça, professor de Design Gráfico e Marketing Digital. Criou dezenas de marcas e fez trabalhos para personalidades como Neymar e Jô Soares.

Na correria do dia a dia e sem investimento direcionado para trabalhar posicionamento da marca e a sua devida exposição nas mídias, especialmente digitais, muitas empresas deixam em segundo plano este item. Qual a importância de um posicionamento digital autêntico e como torná-lo rentável para o negócio?
Quando o assunto é desenvolvimento de marca e marketing, ainda é muito comum a gente ouvir frases como “Depois a gente dá um jeitinho no marketing. Eu mesmo faço o logo da empresa. Meu sobrinho vai ajudar”.

Eu já vi muitos casos de clientes que investem muito na construção da loja, no showroom e não pensam na marca. Por exemplo, gastou R$ 100 mil na construção da loja. Um designer profissional cobra R$ 10 mil para a elaboração do logo e o empresário acha caro.

É uma lógica bizarra, pois, com a internet, metade dos clientes nem vai para a loja física. Ou compra tudo pela internet ou pelo menos tem o primeiro relacionamento com a marca pela internet. Então, a cara da empresa, aquilo que os clientes vão reconhecer, é o logo, que é a identidade visual da empresa. Não investir nesta parte é um grande erro.

Mas branding não é só o logo. É a gestão da marca. É tudo aquilo que você faz para a marca ser lembrada.

Como fazer para a marca ser lembrada, de forma positiva, pelo consumidor?
Primeiro, é preciso entender qual o diferencial da sua marca e ter claro como você quer ser lembrado. Por exemplo, o que uma nova pizzaria pode oferecer na cidade? O que faz a pessoa ir à sua e não na outra? Não dá para se prender aos sabores. Um exemplo é uma pizzaria que tinha o nome de Bob Esponja, aí a pizza era quadrada, em referência ao personagem Bob Esponja Calça Quadrada. Este era o diferencial.

Ter uma mensagem, um conceito para a diferenciação, é muito importante. Trata-se do posicionamento, que é desenhar sua proposta comercial de forma que ela ocupe um espaço de destaque na mente do consumidor. 

Branding é como sua marca fala. É aí que entra o profissional de marketing, pois são necessários vários detalhes e isso só o profissional consegue entender.

Como se diferenciar no segmento de roupas? Afinal, são tantas lojas neste segmento.
Pequenas ações de experiência na loja fazem a diferença. Por exemplo, o gancho de pendurar as roupas no provador pode ser um diferencial. Certa vez, vi uma loja que tinha um suporte para pendurar a roupa no provador escrito “absolutamente” e no outro “talvez”.

Outro exemplo é a cestinha de compras com cores diferentes, uma cor para quem quer ser auxiliado por vendedor e a outra para quem quer comprar sozinho. Um detalhe que faz a diferença.

Não é copiar, mas pegar como referência. O que eu posso fazer no meu produto ou serviço para que faça diferença?

Importante lembrar sempre dos direitos autorais. O caso da pizzaria Bob Esponja teve que se chamar apenas Bob, pois não tinha o direito para o uso da marca. Mais uma vez, a importância do profissional, que certamente evitará esses deslizes bobos.

As pessoas pagam mais caro por essas experiências. Mas o empresário não pode só se preocupar com a embalagem. O atendimento e o produto têm que ser bons. O ticket médio é maior por essas experiências.

Como comunicar o posicionamento no dia a dia nas redes sociais?
Depois que a empresa decide ter um posicionamento, tem que usar isso a todo momento. É preciso falar disso. A primeira dica é não vender o tempo todo. A publicidade interrompe o momento de entretenimento. A sugestão é criar uma página de conteúdo para dar dicas e orientações que remetam ao seu posicionamento e, em certos momentos, lançar a publicidade.

É preciso ser atraente sem abusar da publicidade. Eu gosto de citar o Princípio de Pareto: 80% de conteúdo e 20% de propaganda. É preciso falar com propriedade sobre o tema para que as pessoas confiem em você nesta área. Se você vende o tempo todo, as pessoas se afastam.

Um ótimo exemplo é o Guia Michelin, um guia turístico com foco em restaurantes em todo o país. E o que isso tem a ver com pneus? Resumidamente, quanto mais você viajar, mais gasta os pneus.

Capacitação profissional

Andréa Greco, psicóloga, especialista em RH e carreira, palestrante e escritora.
Com Andréa Greco, psicóloga, especialista em RH e carreira, palestrante e escritora.
 
Novos hábitos de consumo, no perfil do consumidor e no jeito de trabalhar. Tudo isso impacta também em um novo perfil profissional. Qual é esse perfil desejado?
Hoje, estamos passando por uma transformação por conta da pandemia, de sabermos nos reinventar com a tecnologia, ambiente híbrido, home office ou presencial. Com isso, estamos adquirindo novas competências tanto hard skills (conhecimentos técnicos) quanto Soft Skills (comportamentais).

Capacidade para solucionar problemas, ética, inteligência emocional, capacidade de negociação, flexibilidade, comprometimento, comunicação assertiva, relacionamento interpessoal, criatividade, empatia e resiliência devem fazer parte deste novo perfil.

Capacitação profissional: de quem é esta responsabilidade e quais os principais ganhos de uma empresa que incentiva os funcionários a estudarem?
Sempre do colaborador, pois ele saberá como trilhará seu caminho profissional. Contudo, se a empresa investir no colaborador, melhor ainda.  

A empresa investindo no colaborador ajuda na motivação e no desempenho dele. A organização não deve pensar que será “dinheiro jogado fora”, e sim no desenvolvimento da área.

Se a empresa tem poucos recursos para aplicar em capacitação profissional e tiver que escolher apenas uma área para desenvolver, na sua avaliação, qual deveria ser?
Depende quais são os Gaps (as deficiências) daquela área. Normalmente, são as áreas que são mais treinadas: cursos mais técnicos, gestão, comunicação, negociação, vendas e relacionamento. 

ARQUIVO

Seja um associado

Seja um associado à CDL de Blumenau e tenha à disposição uma verdadeira central de soluções para o seu negócio e colaboradores, independentemente do tamanho da sua empresa.

Newsletter
Participe do nosso grupo no WhatsApp

Receba novidades no seu e-mail.

Sistema CNDL