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16.03.2018

Samy Dana participa do Ciclo de Palestras e é destaque no Jornal de Santa Catarina

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O economista, professor e comentarista Samy Dana foi o primeiro palestrante do Ciclo de Palestras 2018, realizado pela CDL Blumenau em parceria com a UniSagres. Com o tema “Brasil: perspectivas econômicas e oportunidades”, Samy atraiu centenas de pessoas, que prestigiaram o evento, realizado em 14 de março, às 19h30, no Teatro Carlos Gomes.

Antes da palestra, Samy Dana concedeu uma entrevista ao jornalista Jean Laurindo, do Jornal de Santa Catarina, do Gurpo NSC, filiado a Rede Globo.

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra, que foi publicada na edição impressa do Santa, como é conhecido o Jornal de Santa Catarina, nesta sexta-feira, dia 16 de março de 2018.

Palestra Samy Dana

Samy Dana em entrevista ao jornalista Jean Laurindo.
Foto Anderson Wittohf

 

“Por mais que esteja difícil, você não pode desistir de investir”

Conhecido pelos comentários econômicos no” Jornal da Globo” e “Hora Um”, da Globo, no portal G1 e no programa “Conta Corrente”, da Globonews, o economista e consultor Samy Dana esteve em Blumenau para palestrar em evento promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) na noite de quarta-feira. Samy é mestre em economia, doutor em administração, Ph.D. em business e professor da Fundação Getúlio Vargas e falou ao público blumenauense sobre perspectivas e oportunidades na economia.

A palestra abordou temas como a chegada de um ponto de virada da economia, que, segundo ele, agora para de piorar para começar a melhorar, e problemas crônicos do país, como a burocracia e a dificuldade de se fazer negócios, que por vezes afastam investimento estrangeiro do Brasil. Ainda assim, trouxe otimismo ao fazer uma análise que coloca o Brasil como um dos países preferidos de investidores internacionais. O motivo é estar em uma posição privilegiada pela alta população, PIB acima de US$ 1 trilhão e território superior a 4 milhões de metros quadrados, que favorece, sobretudo, a instalação de indústrias. Ao final da palestra, despertou reflexões e análises a empreendedores ao lembrar que das 10 maiores empresas do mundo, sete foram criadas há menos de 10 anos. Antes da palestra, ele conversou com a reportagem sobre temas abordados na palestra. Confira:

Quais são as perspectivas depois de três, quatro anos de crise, e onde estão as oportunidades?

As perspectivas são bem grandes. A gente tem um país com PIB acima de US$ 1 trilhão, mais de 10 mil quilômetros quadrados de área e população acima de 100 milhões de habitantes. São poucos países no mundo que você tem essa trinca. Muita gente, que é interessante porque é um público potencial grande; área é interessante porque quer dizer que você tem uma capacidade a ser instalada. Em países como o Japão, o metro quadrado já é muito mais caro. E US$ 1 trilhão, a gente tem PIB, em reais, de mais de 6,6 trilhões, quer dizer que todo ano gira esse dinheiro na economia. Então, ainda que você tenha uma pequena parte disso, é muito dinheiro. Temos também alguns mercados: se a gente olhar soja, carne, frango, carne suína, energia eólica, o Brasil está entre os 10 maiores produtores do mundo. E do mercado de consumo, a gente é um dos maiores mercados de eletrônicos, tecnologia e informação, perfumes – é o maior mercado do mundo –, de cartão de crédito. Por mais que o país esteja enfrentando dificuldades, nenhuma empresa ou setor grande ignora um gigante como o Brasil. As oportunidades vêm, ainda que pudéssemos ter um cenário um pouco menos desafiador.

O pior momento da crise já passou?

A gente vem desde 2014 sofrendo muito com o PIB. O ápice da economia ruim foi em 2016. Em 2017, tivemos crescimento baixo, 1%, e em 2018 deve vir algo entre 2,8%, 3%, essa é a aposta da maior parte dos economistas, inclusive eu vejo dessa forma. Esse ano foi melhor que o ano passado, que foi melhor que 2016. Isso não quer dizer que todos os problemas tenham sido esgotados, é só uma posição relativa. A gente ainda tem muitos desafios, nossa infraestrutura ainda é ruim, a educação ainda sofre; segurança pública, saúde (também), mas mesmo assim é um país com muito potencial.

Como planejar investimentos em meio a esse cenário turbulento, tanto para finanças pessoais quanto para o empresário, que tem necessidade de investir para não ficar para trás?

São duas lógicas. As famílias têm que se programar para ter uma receita financeira; às vezes, ficar dentro do orçamento é o primeiro desafio. O segundo é pensar no futuro. A gente vê prováveis mudanças na aposentadoria. As pessoas que têm hoje 40, até 50 anos, provavelmente não pegarão a mesma aposentadoria que a gente tem hoje. Por isso têm a necessidade de uma renda para compensar, que pode ser uma aposentadoria privada, outros investimentos. Para as empresas, temo que muitos empresários ficaram paralisados. Primeiro com os protestos da Copa do Mundo, depois com as eleições, a incerteza da Dilma, o processo de impeachment. Depois, veio o Temer também com ameaças de impeachment, uma porcentagem da população um pouco revoltada. Os empresários estão muito assustados. Bem ou mal, são quase quatro anos que os empresários estão esperando o amanhã. Só que quatro anos no mundo empresarial, às vezes, é tempo demais. Então, minha principal dica é: por mais que esteja difícil, você não pode desistir da empresa ou não investir na empresa.

Que cuidados tomar antes de investir nesses momentos adversos?

As pessoas, às vezes, acabam olhando muito o curto prazo, do passado. A bolsa foi bem, vai todo mundo para a bolsa. Um caso emblemático foi o bitcoin. Bateu US$ 20 mil em dezembro do ano passado. E assim como uma coisa sobe muito, pode cair muito. O risco é justamente a variabilidade. As pessoas, às vezes, acabam fazendo estratégias muito arriscadas sem saber, e isso é um perigo. A pessoa que é dentista, médico, engenheiro, mecânico, se a pessoa dedicou a vida toda para ganhar, é um pouco inocente ela achar que vai ganhar mais no mercado financeiro do que na profissão dele. Vejo, às vezes, um pouco de inocência. Tem esses produtos arriscados, além dos golpes de internet, que são crimes mesmos, com promessa de retornos inatingíveis.

Em um de seus programas no Canal Futura, você aborda assuntos como educação financeira. O Brasil discute esse tema como deveria? E como despertar mais a consciência das pessoas para isso?

Tenho uma visão bastante humanista da educação financeira. Por exemplo: você pensa em dieta. Muita gente quer fazer dieta e se você pensar na melhor instrução para a dieta, é simples: você tem que comer menos calorias do que gasta, comer alimentos mais saudáveis e diminuir os menos saudáveis. Ainda que as pessoas saibam disso, conheço várias pessoas e eu mesmo já tentei fazer dieta sabendo disso e não consegui. Porque não é só saber como funciona, existe a parte humana. E finanças são um pouco disso. Quase todo mundo sabe que você tem que gastar menos do que você ganha para não ficar endividado. E mesmo sabendo disso, você pode enfrentar problemas. O que eu acho que acontece às vezes é uma relação psicológica. Você acaba não sabendo lidar com os mecanismos de crédito. Ou essa crise que bateu quase 14 milhões de desempregados. Não tem o que fazer, você precisa sobreviver. Eu diria que mais importante do que educação financeira no sentido das contas é você aprender o que é o direito do consumidor, por que a gente paga imposto, um pouco de civilidade mesmo, para você tomar melhores decisões. Mas claro que alguns produtos financeiros, saber o que é inflação, são interessantes porque são decisões que ela vai tomar querendo ou não. A gente participa da economia gostando ou não.

Qual pode ser o tamanho do prejuízo à economia pela demora na aprovação da reforma da Previdência?

Qualquer país emergente precisa de dinheiro externo para financiar obras de infraestrutura, educação. Se as suas finanças não estão boas, os mecanismos internacionais não só não dão dinheiro, mas quando dão, dão dinheiro muito caro. Mais ou menos a mesma lógica de pessoa física. Quando a pessoa tem risco alto de inadimplência, ou o banco não dá dinheiro ou vai cobrar uma taxa absurda. Sem a reforma da Previdência, a gente compromete muito do nosso PIB e as contas não fecham. Então, o Brasil fica numa situação ruim para pegar dinheiro que é tão necessário para desenvolver. Eu não tenho dúvida de que a reforma vai ser feita. Se não for feita em cinco anos, para tudo, não vai ter dinheiro para pagar as pessoas. Mas o problema maior é que quanto mais tempo você demora, maior o rombo e mais forte é a reforma. Mas digo mais: mesmo a reforma do governo atual, se for aprovada, vai durar cinco anos e vai ter que fazer outra, porque ela não é suficiente perto do tamanho dos gastos. A gente tem uma relação de gastos com a Previdência/PIB de 13%, muito acima do razoável. Se continuar assim, em 2060 a gente vai passar de 20%, o sistema se rompe, porque você ainda tem os gastos com folha de pagamento do governo, educação, saúde, segurança. Eu gosto de citar a Grécia, que teve problemas na previdência e agora tem dívida com a previdência de 14,5% (do PIB). A gente não está tão longe assim.

 

 

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