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20.03.2019

Palavra de Economista: Mãos à obra, por Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil

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Por Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil

O país tem potencial, mas crescimento não é destino. É algo que exige trabalho, e trabalho duro. Os últimos meses de 2018 trouxeram uma lufada de esperança, algo que se refletiu quase que de imediato sobre a confiança de consumidores e empresários. Mas isso ainda é pouco: sozinha, a confiança não levanta uma economia debilitada.

 Na última semana de fevereiro, o IBGE divulgou os números oficiais, tão aguardados, sobre a atividade econômica em 2018. Não destoou muito do que os analistas já esperavam: continuamos em marcha lenta, com crescimento de 1,1%, idêntico ao observado em 2017. Abrindo os dados pela ótica da oferta, o setor que mais se destacou foi o de Serviços, com variação de 1,3%. A Indústria, por sua vez, registrou variação de 0,6%, enquanto a produção da agropecuária ficou praticamente estagnada.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias é que mereceu destaque, com avanço de 1,9%. Por parte das empresas, os investimentos tiveram uma variação vistosa, de 4,1%, mas continuam a representar uma fatia pequena do PIB – algo como 15%. Um país que quer crescer precisaria estar mais preocupado em aumentar a produtividade futura, isto é, investir.

Encerrado o ano, os dados referentes a janeiro de 2019 ainda não mostram sinais de aceleração da atividade econômica. Isso não significa que permaneceremos prostrados no mesmo 1,1%, mas faz acender um sinal de alerta.

Alerta – e, vejam bem, não alarme – reforçado pelo Banco Central, que notou recuo da atividade econômica em janeiro. A queda foi 0,41% na comparação com o mês imediatamente anterior, já descontando o efeito sazonal.

Estamos ainda atravessando os simbólicos 100 primeiros dias de governo. O roteiro econômico foi bem traçado: prevê reformas para equacionar o problema fiscal e para aumentar a produtividade econômica. Mas vai chegando a hora em que a realidade exige que as medidas saiam do papel para encorajar as empresas a tocarem seus investimentos produtivos; para facilitar o cotidiano dos micro e pequenos empresários; e para aumentar a oferta de emprego, reduzindo a fila de mais de 12,7 milhões de desempregados.

A crise recente deixou lições importantes: mostrou, primeiro, que o orçamento público não suporta tudo. Também mostrou que a política importa, e importa muito. Não basta apresentar ao país medidas tecnicamente qualificadas. É preciso, antes, convencer a sociedade e articular soluções com os representantes eleitos – o quanto antes.

Palavra de Economista: Mãos à obra

 

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