Notícias

20.05.2019

Palavra de economista, por Marcela Kawauti

Compartilhe: Google+

Devagar, quase parando

Saíram mais alguns dados sobre o 1º trimestre de 2019. Não são tão bons, é preciso dizer. O dado oficial do PIB será divulgado pelo IBGE em algumas semanas. Mas o Indicador de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que busca antecipar o desempenho do PIB, apontou uma retração de 0,68% no trimestre. A ver o que os números oficiais do IBGE mostrarão.

Esse desempenho, se confirmado, contraria as expectativas que consumidores e empresários tinham lá no início do ano. E já se reflete nos indicadores de confiança – uns estagnados, outros já em queda. Os especialistas também estão revendo suas projeções para este ano. De acordo com o Boletim Focus, que reúne estimativas de várias instituições financeiras, a economia deverá crescer 1,4%. Já há quem fale em crescimento abaixo de 1,0% -- algo bem diferente dos 2,5% projetados no início do ano.

Vejamos os resultados de alguns setores. Em março de 2019, a indústria amargou queda de 6,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O varejo, por sua vez, registrou queda de 4,5% na mesma base de comparação. É preciso registrar que, no caso do varejo, considerando os últimos 12 meses, e não somente março, o crescimento foi de 1,3%.
Já o setor de serviços, que responde pela maior fatia do PIB brasileiro, exibiu queda de 2,3% em março, também na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em suma, os últimos dados mostram que, em março de 2019, o desempenho desses setores ficou abaixo do observado em março de 2018.

O país saiu da recessão, mas a lentidão com que se recupera vem surpreendendo. É preciso encarar isso como um alerta. É alerta contra a inconveniência de novas crises políticas; e alerta contra os riscos de se postergar as reformas que estamos (quase) próximos de fazer.

Pode parecer que as discussões econômicas têm girado só em torno da reforma da previdência. Esse tema entrou para a rotina do debate há uns quatro anos e cá estamos, mais uma vez, lembrando da sua importância. Mas não há como fugir: para atrairmos investimentos, precisamos dar garantias de que é possível impedir uma deterioração maior das contas públicas.

Para encerrar: há mais um semestre inteiro pela frente. O ano não está perdido, e ainda é possível termos um crescimento mais robusto pelos próximos anos. Mas o primeiro passo tem que ser dado agora.

Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil

 

Newsletter

Sistema CNDL
©2016 - CDL Blumenau - Todos os direitos Reservados - Desenvolvido por SEDIG.
Topo