Notícias

23.07.2019

Palavra de Economista: Página quase virada, por Marcela Kawauti

Compartilhe: Google+
Eu sei: você já não aguenta mais ouvir falar da reforma da previdência. O assunto voltou à tona em 2015 e, desde então, não saiu mais das manchetes e dos comentários dos economistas. À espera de uma definição, toda a análise do cenário econômico ficou condicionada à medida: com reforma, abria-se a perspectiva de a economia acelerar seu passo; sem reforma, abria-se uma espiral negativa, com dólar e juros para cima, confiança e investimentos para baixo.
 
Finalmente, a reforma passou pelo primeiro teste, e com uma margem larga. Foram 379 votos favoráveis à proposta na primeira votação da Câmara, número que surpreendeu até os mais otimistas. A reforma ainda precisa passar pelo crivo do Senado, mas ninguém aposta que haverá algum tipo de revés. Em dez anos, a economia ficará em torno de R$ 900 bilhões, perto da cifra desejada pelo governo.
 
Página (quase) virada. O que vem agora? Já dissemos aqui, mas não custa repetir: as reformas não salvarão a lavoura de 2019. O país deverá crescer neste ano menos do que cresceu no ano passado, ou seja, um pouco abaixo de 1%. Os efeitos positivos da agenda reformista devem ficar para os próximos anos.
 
Discute-se quais medidas animariam a economia no curto prazo. A mais esperada é a queda da taxa básica de juros. Essa taxa, também chamada de Selic, é definida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central. Hoje, a Selic está fixada em 6,5%. É praticamente consenso que, na próxima reunião do COPOM, a Selic deverá cair – para 6,25% ou, quem sabe, 6,0%. A Selic é um parâmetro importante porque baliza as taxas de juros finais, tomadas por consumidores e empresários.
 
Ainda pensando no curto prazo, estuda-se a liberação de recursos do FGTS, como medida de estímulo ao consumo, e um programa de investimentos públicos. É verdade que as contas públicas seguem avariadas, mas os juros baixos e a perspectiva de correção do déficit a longo prazo trazem de volta a possibilidade de o governo fazer algum gasto.
 
O primeiro trimestre frustrou os otimistas que esperavam uma aceleração imediata da economia. Agora, com a primeira reforma encaminhada, justifica-se mais uma dose de otimismo para os próximos anos. A revista Forbes cravou na manchete: “o Brasil está de volta”. Esperamos que sim. Mas é bom notar: aprovamos apenas a primeira reforma. Há outras medidas importantes à espera de aprovação, como a reforma tributária, e a criação de um ambiente de negócios mais favorável.
 
Por Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil
 
 

Newsletter

©2016 - CDL Blumenau - Todos os direitos Reservados - Desenvolvido por SEDIG.
Topo